domingo, janeiro 25, 2009

A Concepção


Desde já advirto que não sou crítico muito menos teórico da linguagem cinematográfica, nem entendo os termos do meio. Sou apenas um admirador de filmes que, por critérios subjetivos, considero bons e que procuro assistir na ânsia de novos olhares sobre o mundo e principalmente sobre eu mesmo. Sendo assim, comento sobre esse filme.

A Concepção é uma produção brasileira de 2006, e que tem no elenco atores como Matheus Nachtergaelle, Rosane Mulholand, Milhem Cortaz e Juliano Cazarré nos papéis principais. A fita se ambienta em Brasília, onde jovens da classe média alta da capital federal procuram subtertúgios para o grande tédios e vazios que permeiam suas existências. Ápós conhecerem na zona do meretrício a personagem de Matheus, com sua conversa altamente filosófica e sofista de resgate do seu eu interior, morte ao ego e repulsa à sociedade atual, fundam em um apartamento ocupado por um dos personagens o Manifesto Concepcionista, onde as leis se baseiam basicamente na liberdade e renovação da sociedade e do eu, em resumo, uma existência anárquica e não afeita aos padrões sociais vigentes.




A história em si não é nova, mas interessei-me por ela por sua maneira criativa, seus figurinos, as interpretações, cenários, diálogos, e sobretudo pelo seu desfecho em que a polícia intervém no imóvel e prende a grande maioria dos seus ocupantes, provocando estardalhaço na imprensa local. Vale ressaltar que, durante o tempo em que durou, O Concepcionismo arrebanhou uma quantidade considerável de adeptos que andavam nus, consumiam drogas e pregavam discursos liberais.

Uma nova utopia hippie em pleno Planalto Central, posso falar de maneira grossa o enredo do filme. Pessoas jovens em busca de experiências e sensações novas, que suas vidas cotidianas não lhes proporcionam. Ruptura de padrões, mas sem um questionamento profundo de em que isso realmente consiste. E, principalmente, um líder natural, mais uma vez citando a personagem de Matheus, que surge nas suas vidas de forma inesperada, sem identidade certa e grande conhecedor das misturas de remédios e dos seus efeitos colaterais.

Bom cinema, que não me atrevo a enumerar como sendo do movimento X ou movimento Y pelo simples fato de não compreender o assunto a fundo. Aliás, conheço de maneira extremamente rasa. Um dos filmes que nos prova de que o cinema brasileiro consegue produzir obras de boa qualidade sem se tornar pedante muito menos hermético. Algo que poderá provocar debates, pois dá margem a várias interpretações, pontos de vista. Costumo dizer que em arte eu só me interesso pelo que possa me estapear, me fazer pensar e me tirar da modorra que acaba se tornando a vida cotidiana. E sim, esse filme conseguiu.

2 comentários:

Gabriela Magnani disse...

Sabe, não sou boa em comentar sobre o cinema. Sempre vejo a imagem que o artista não quer passar. Não assisti esse filme, e nem entendi muito. Mas do mesmo jeito gostei do seu texto. Te linkei :)

Coruja disse...

Nossa amei esse filme, acho até que foi muito pouco assistido infelizmente, falta de publicidade ou sei lá o que fez com que uma minoria o visse, mas para quem não viu está recomodadíssimo, ousado, polemico, as vzs indigesto, algo que nos faz pensar e muito, vale a pena.