segunda-feira, outubro 09, 2006

Eu + Tu + Ele/ELa + Nós + Vós + Eles/Elas = Eu


Pois é, viver sozinho, incomunicável e isolado de tudo e todos é praticamente impossível, ao menos em 100% dos casos. Impressionante como seres sociais, que dependemos do outro nas grandes e também nas pequenas coisas, não conseguimos subsistir unicamente com nosso próprio auxílio. Vivemos em uma intrincada rede social que tanto pode abranger nossos parentes mais próximos como aquelas pessoas que vemos nas ruas e provavelmente nunca mais tornaremos a botar os olhos. Seríssimo isso; ou seja; não dá pra fundar uma comunidade alternativa e a partir de então se autodenominar um remanescente hippie, vestindo longas batas, queimando incenso, sobrevivendo do artesanato e rejeitando quaisquer valores da socieade de consumo. Não existe nada tão a padrões que fuja de todas as teorias sociais percebidas até então. Pois para que possamos obter tais produtos precisamos desse tão maldito capitalismo, que abominamos muitas vezes mas que nos vemos reféns ao ver aquela roupa na vitrine da loja em promoção, 5 vezes no cartão. Olha que tentação, cabe no meu orçamento, deixa eu fazer as contas de cabeça pra saber quanto pagarei por mês.
Ao mesmo tempo em que podemos estar no meio da multidão, estaremos sozinhos, nus, desarmados em meio à massa em que todos deixam de ser únicos e passam a fazer parte do coletivo, do todo, como uma célula em um grande corpo denominado sociedade. É o meu papel nela vender a minha mão-de-obra em uma jornada de trabalho que não é a que eu gostaria, desempenharei uma função ou várias que não são aquelas às quais almejei, e receberei um salário aquém as minhas expectativas. Enfim, nesse ambiente de trabalho (ou seria tortura?), vou me defrontar com muitas pessoas, e delas não posso escapar. Estão no meu subconsciente assim como meus mais íntimos segredos aos quais não compartilho nem comigo mesmo. Mas nem por isso deixaremos de ser solitários, temerosos, queixosos, indagativos, questionadores do que somos e do papel que representamos nessa imensa teia social. Quantas vezes penso em pessoas que conheci em algum momento da vida e nem me lembro mais seu rosto, o que fazem atualmente nem sei se ao menos estão vivas. O que faz com que pensemos nas coisas mais absurdas nos momentos mais impróprios?
Posso dizer em qualquer momento, gritar em praça público ou apenas sussurrar a mim mesmo: deixem-me só, esqueçam da minha existência, eu não estou nem nunca estive nesse mundo, estou pegando um avião (olha o capitalismo de novo, eu trabalhando pra pagar aquela passagem da TAM em prestações) e irei morar no Nepal, virei budista e fiz voto de pobreza, dentre outros, o voto de pobreza compulsório já fiz há muitos anos. Mas não adianta, eu existo, e isso já me marca, faz com que em algum momento o meu vizinho de infância se lembre por minutos do meu nome, do meu rosto, do que brincávamos, ou qualquer outra coisa. Ou pode acontecer o reverso, eu posso lembrar da minha professora da 1ª série, da bronca na aula de Português, do modo como ela me fazia pegar no lápis, etc e etc. Fica por sua conta imaginar o que porventura lembraria eu dessa professora.
Ou seja, não consigo me desvencilhar dessa imensa teia social que me marca desde o nascimento. Se eu quisesse não poder compartilhar de nada disso, bastaria que eu não houvesse sido concebido, mas isso foge à minha alçada. Então, só me resta lamentar e recordar. Vai uma bebidinha aí?

3 comentários:

Anônimo disse...

ESSE MLK É BOM!!!!

NUCOOL

Vivi disse...

Vc destruiu meus sonhos ...eu queria me meter numa bolha e nunca mais ver nem falar com ninguem =//

denise disse...

Putz...
gostaria msm de ter uma caverna a meu dispor qd quisesse dar uma de eremita e fugir das pessoas rsrsrsrsrsrs
mas faço isso as vzs em minha caverna particular,me isolo pq humanos me cansam um pouco as vzs,o grande problema é que esse ermitério pode ser nefasto e dar luz a uma nova Zaratustra aff to fora rsrsrsrsrs
bjos