sábado, setembro 01, 2007

É de pequeno que se começa a torcer o pepino


Assisti recentemente uma reportagem no Jornal Nacional sobre uma feira literária que está acontecendo em Passo Fundo, no interior do Rio Grande do Sul, em tendas idênticas a de circos. Louváveis iniciativas como essas, que procuram desmistificar o mito da literatura como algo inalcançável e distante da nossa realidade, buscando aproximar a população de uma das mais maravilhosas criações do homem: o livro. Mas fiquei instigado mesmo ao ver crianças folheando livros com um interesse incomum, entretidas com aquele objeto mágico e fazendo perguntas e questionando o criador do Menino Maluquinho, o mineiro Ziraldo, e observando atentas a uma palestra presidida por Lya Luft.

Irremediavelmente me veio à memória imagens da infância, por volta dos meus cinco anos, quando gostava de folhear gibis da Turma da Mônica e frequentava a pré-escola em uma escolinha chamaa Casinha de Chocolate, que não existe mais. Todas as semanas ia a uma banca de revistas e pedia que o meu pai me comprasse uma daquelas revistinhas, mesmo que no começo não entendesse o que estava escrito naqueles balões das histórias. Mas o fato é que de certa forma eu me alfabetizei lendo aqueles gibis, e até os meus 10 anos adquiria com regular frequência essas revistinhas, das quais guardo ótimas recordações. Através da Turma da Mônica eu descobri o universo mágico das palavras e brincava muito com elas, as falando em voz baixa e tentando fazer associações com outras que teoricamente nada tinham de semelhante com a primeira. Mas de qualquer forma era um exercício muito interessante e lúdico.

Muitos anos se passaram e eis que vejo meninos e meninas descobrindo um novo mundo, assim como eu fui outrora, sorrindo e torcendo por aqueles personagens inexistentes na vida real, mas vivos em cada imaginação infantil. Adquirir o hábito da leitura começa desde cedo, instigando os pequenos, mas não os obrigando a ler pelo simples fato de "adquirirem cultura", mas sim os apresentando esse mundo tão cheio de facetas e criando neles essa necessidade biológica que todo leitor voraz compreende muito bem.

Pois é, nem tudo está perdido. Creio que daqui a alguns anos teremos milhares de novos leitores, que talvez venham diminuir essa triste estatística que comprova ser o brasileiro pouco afeiçoado aos livros. Não importa que a gênese sejam as historinhas do Chico Bento. Importam os desdobramentos que esse caipirinha fará em mentes e corações.

Um comentário:

Denise disse...

Com certeza esse pequenos e novos leitores vão pegar o gosto e o jeito para leitura,no futuro serão seus leitores também,é o que desejo do fundo do coração a voce.
Mais um texto delicioso,adorei.
beijos