domingo, agosto 05, 2007

Desabafo de um desmiolado


Tenho de parar com essa mania de querer forçar os outros a compreender os meus pontos de vista. Afinal de contas, não tenho culpa de as pessoas serem simples burgueses que consideram o mundo à sua volta como pronto, e não aceitarem novas formas de se encarar a vida e suas circunstâncias. Dá muito trabalho refletir sobre o que pode ser mudado acerca de nós mesmos e principalmente sobre o nosso próximo, que na maioria das vezes está em distância relativamente grande. O problema é que não consigo pensar de outra forma e acaba-se em um diálogo à lá Torre de Babel: fulano fala uma coisa, ciclano fala outra diversa, eu então me coloco em situação divergente e acabamos não compreendemos o que é dito e paira sobre nós grandes pontos de interrogação maior do que quando a conversa se inicia.
Não me refiro a nada específico, mas sobre assuntos esparsos que fatalmente poderão ser discutidos tanto numa mesa de bar, como numa roda de intelectuais, assim como também poderá ser posta em voga em um jantar familiar, quando papai e mamãe perguntam aos filhos adolescentes como foi seu dia e então conselhos são fornecidos em larga escala. Mas sinto necessidade de me expressar, por mais calado que eu seja e por mais medo que eu tenha de soltar o verbo e não ser compreendido. Ou muito pior, ser visto como um ser de outro mundo que sofre de graves distúrbios mentais ao opinar sobre a cor do cavalo branco de Napoleão.
- Bota o terno e vai à luta, Ivanhoé.
- Pare de ser sonhador e se preocupe em ter condições econômicas de forrar seu estômago, Valfrido.
Obviamente o que escuto não são frases desse teor, mas de qualquer forma a lógica é a mesma. Não adianta eu dizer que tenho pretensões artísticas e que meu grande sonho é sobreviver dela, até porque sabemos a realidade daqueles que levam à cabo seus ideais nesse quesito. E também tenho de levar em conta se realmente tenho talento para alguma coisa que fuja do velho padrão escritório contábil, ou no caso da cidade onde resido, empresas que lidam com navegação. E como se contentar com um salário no final do mês, carteira assinada, vale-transporte, vale-refeição e cesta básica fosse o suficiente para nos realizar como seres humanos.
Eu lhes digo: - Seus vendidos, joguetezinhos nas mãos dos capitalistas usurários! Mas eles querem apenas ter dinheiro para pagar a conta de luz no final do mês e evitar a nada agradável visita do técnico da CPFL. Ou sou eu que não acordei ainda e não percebi que na realidade todos nós apenas buscamos sobreviver, em alguns casos mal e porcamente, deixando de lado o pouco de vocação que nos resta em detrimento de algum trabalho qualquer que só venha a beneficiar diretamente o patrão e em nada modifica as estruturas sociais?
Sabe de uma coisa? Cansei. Vou beber. Ajudar a aumentar os lucros das empresas cervejeiras. Nem na hora de afogar as mágoas eu consigo fugir do sistema. Eu nem sei fabricar a minha própria cerveja....

2 comentários:

Denise disse...

Me lembrei de um poema de Pessoa no auge de sua angustia diz:
"Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo? "
è mais ou menos isso,a solidão nossa companheira inceparável em pendengas como essa.
O homem de conhecimento sabe e sente isso,mas não pode ou não consegue parar,conhece o gosto da verdade,de posse disso caminha pelos labirintos da vida a passos largos,lado a lado com sua companheira de todas as horas a solidão.
Ganhei o dia lendo seu texto perfeito,adorei.
beijos
te adoro

Raysa disse...

Nossa muito bom ,agora já sou suspeita pra falar...

Bjãooo